Alho

Não há história de vampiros que se digne que não seja “cozinhada” com um ingrediente indispensável: o alho. Esta planta é, tradicionalmente, o precioso ajudante do herói da fita, que acaba sempre por combater e derrotar o vilão.

Benefícios e propriedades medicinais do alho na saúde e alimentação:
Não se sabe ao certo onde e quando nasceu este mito, mas o alho desempenha hoje um papel de destaque no universo da medicina natural. No que toca ao mundo da saúde, os vampiros podem ser substituídos pelas doenças cardiovasculares, mas aqui, a eficácia do alho não tem nada de ficção.

As propriedades terapêuticas e os beneficios do alho na prevenção e tratamento de perturbações cardíacas não são fruto da imaginação, mas sim dos compostos do alho. Estes funcionam como obstáculos à produção de colesterol, para além de evitarem o enrijecer das artérias.

A somar a estes dois factores estão os reconhecidos efeitos anti-coagulantes do sangue provocados por um consumo regular de alho. Mas não há bela sem senão, por isso, nada de exageros. Uma dose diária entre um e três dentes de alho – que podem ser utilizados na confecção dos alimentos – é uma boa média. Se abusar, quem pode pagar é o estômago, a pele e… o hálito.

Outros benefícios do alho…

O alho pode ser usado para tratar o colesterol alto, parasitas, problemas respiratórios e a má digestão. Estudos sugerem que o alho quando ingerido regularmente ajuda a baixar a pressão sanguínea, controla o açúcar no sangue, o colesterol e estimula o sistema imunológico. Também foram encontradas algumas substâncias beneficas no alho que podem ajudar a reduzir o risco de cancro no esófago, estómago e cancro do cólon.

Note que não é recomendado tomar o alho na sua forma bruta (natural), uma vez que a enzima necessária para produzir alicina pode ser destruída no estômago antes de ter qualquer efeito positivo. Por esta razão, o alho seco em pó, ou em capsulas é mais adequado para tirar o maximo proveito das suas qualidades. Vários Estudos têm demonstrado ainda que outras formas de alho (cozido, em conserva, e o alho envelhecido) também são benéficos para a saúde.

Usos de Alho

Alergias

O alho é conhecido por ter propriedades antivirais, o que ajuda o corpo a lutar contra alergias. Basta tomar um comprimido de suplemento de alho por dia durante 2 ou 3 semanas antes da temporada das alergias (ex: primavera).

Tosse

As propriedades antibacteriana do alho tornam-no um excelente tratamento para tosses e outras irritações de garganta. O alho também pode reduzir a gravidade das infecções do trato respiratório.

Diabetes

O alho é considerado como um verdadeiro regulador dos níveis de açúcar no sangue, aumentando assim a liberação de insulina nos diabéticos. Portanto, se sobre de diabetes um bom remédio eficaz é tomar uma cápsula ou comprimido diário de alho.

Pressão Alta

Estudos clínicos demonstraram que um grupo de pessoas que sofriam de pressão alta após um tratamento com cápsulas de alho diarias durante cinco meses baixaram drasticamente os seus níveis de pressão arterial de forma tão eficaz como os pacientes que tomam medicamentos de prescrição medica para pressão arterial. A dosagem sugerida é de 600-900mg cápsulas de alho por dia.

Colesterol Elevado

Estudos têm demonstrado que tomar 600-900 mg diárias de alho reduz os níveis de colesterol e reduz a formação de placas arteriais por 5-18%. Portanto, se sofre de colesterol, sem dúvida que o tratamento natural eficaz é tomar um comprimido ou cápsula de alho (600-900mg) uma vez por dia.

Dor de Dentes

Com todas as propriedades antibacterianas, analgésicas e anestésicas do alho pode ajudar a aliviar ou curar a dor de dentes. Basta colocar um pouco de óleo de alho ou um pedaço de dente de alho esmagado diretamente sobre o dente afetado e da gengiva para conseguir um alívio imediato.

Verrugas

Devido á sua capacidade para combater infecções e bactérias torna-o um remédio eficaz para verrugas e outros problemas de pele. Pegue um dente de alho fresco e corte-o. Esfregue a área cortada do dente de alho diretamente sobre a verruga durante alguns segundos. Repita este procedimento todas as noites antes de ir para a cama até que a verruga desapareça. Se sentir qualquer tipo de irritação ou sensação de queimadura forte, basta lavar a área com água.

Quais são os efeitos colaterais de alho?

Para a maioria dos indivíduos, o alho não causa quaisquer efeitos secundários graves. No entanto as pessoas que são alérgicas ao alho, ou que o consomem em grandes quantidades, podem sofrer de irritação do estômago, azia ou flatulência. O alho parece ser seguro durante a gravidez e amamentação. Na verdade, dois estudos realizados demonstraram que os bebés aderem melhor ao leite materno em mães que comem regularmente alho.

Note que devido ao alho ter um efeito de anti-coagulação do sangue e propriedades adelgaçantes, as pessoas que tomam medicamentos anti-coagulantes ou que estão programadas para uma cirurgia devem sempre consultar o seu médico antes de tomar qualquer suplemento de alho.

Onde e Como Comprar Alho

O alho em pó ou alho em cápsulas já pode ser comprado e encontrado em qualquer hipermercado. Os suplementos de alho estão disponíveis na forma de comprimidos, cápsulas, extratos e óleos e tambem podem ser comprados em lojas de produtos naturais (onde a qualidade poderá ser melhor).

Informações e Curiosidades do AlhoO alho nas duas guerras mundiais

Em Inglaterra o alho gozava de grande reputação entre os ervanários muito antes do aparecimento dos medicamentos. Em 1665 quando a peste dizimou dezenas de milhares de pessoas, todos os ocupantes de uma casa em Chester conseguiram sobreviver. A explicação avançada é a de que a habitação possuía uma ampla provisão de alho na cave, o que mantinha os habitantes imunes aos efeitos mortíferos da peste.

Os primeiros estudos académicos sérios publicados sobre o alho são da autoria de Alexis Fedchenko, um naturalista e viajante russo do início do século XIX. As suas Descobertas Botânicas, foram publicadas pelo Governo Russo. Já no período da Grande Guerra (1914-1918), o alho era utilizado com algum sucesso no tratamento dos feridos em combates aéreos. No desenrolar da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mais uma vez o alho desempenhou o seu papel, sendo utilizado às toneladas pelos Serviços Médicos.

Diariamente é utilizado em todo o mundo, mais de meio dente de alho por pessoa. Anualmente a produção de alho suplanta, a nível mundial, as duas mil e quinhentas toneladas, uma parte substancial vinda da China. Entre outros países exportadores de alho encontram-se a Espanha, a Coreia do Sul, a Tailândia, o Egipto, o México e o Brasil

A primeira greve da História

Os antigos egípcios desde épocas remotas conheciam a planta cultivando-a e consumido-a a par das cebolas, das chalotas e do alho-porro. Este povo fez do alho um dos alimentos base da sua alimentação e simultaneamente num remédio, acreditando mesmo que contrariava os sintomas do envelhecimento. Nos mitos egípcios, o alho era uma das ervas com poderes sobrenaturais e mágicos. Os arqueólogos encontraram nas pirâmides algumas inscrições que, ao que tudo indica, referem-se ao alho. Consta que esta planta, juntamente com os rabanetes, era fornecida em quantidade razoável aos trabalhadores, crendo-se que seria um excelente revigorante.

Segundo alguns investigadores uma das primeiras greves da humanidade foi iniciada por estes trabalhadores ao construírem a Pirâmide de Keops. Fizeram-no porque lhes tinha sido retirado o alho da alimentação diária. Quando o túmulo de Toutankhamon foi aberto, encontrou-se alho entre os tesouros sepultados com o Rei. Este era parte integrante dos mantimentos colocados com o soberano para a sua longa viagem em direcção ao outro mundo. Também os papiros nos trazem algumas referências ao alho. No tempo de Ramsés III, o alho era utilizado para conservar os corpos.

Para além do Egipto, muitas outras civilizações anteriores à era cristã incluíram o alho na sua alimentação Cerca de 3.000 a.C., no Mediterrâneo Oriental, os babilónios usavam o alho atribuindo-lhe virtudes miraculosas. Empregavam-no na alimentação e simultaneamente como tratamento para as doenças respiratórias, problemas de pele, entre outros.

O alho com as legiões romanas

Com o Império Romano a cultura do alho prosperou. Os ímpetos belicistas e de conquista romana, levaram as suas legiões até regiões remotas, bem longe do centro do império. Chegaram tão longe como as Ilhas Britânicas, às portas da Ásia e ao Norte de África. Com as tropas viajou o alho. Virgílio, poeta romano (70-19 a.C.) deteve-se bastante sobre as artes da agricultura, da criação de gado e de abelhas. No que dizia respeito ao alho afirmava “é essencial para manter as forças dos homens que trabalham no campo”.

Galeno, um dos mais notáveis médicos daquele período apelidou o alho de “melaço dos pobres”, aconselhando-o como antídoto contra os venenos. Avançamos na linha do tempo e o alho continua sempre presente. No ano 1100 d.C, Roberto da Normandia afirmou acerca desta planta: “O alho tem poder para salvar da morte. Suportem-no apesar de produzir um hálito desagradável.

Em França é ainda hoje consumido o “Vinagre dos Quatro Ladrões”, envolto numa história pouco fundamentada. Em 1721 a peste afligia Marselha. Não existindo quem enterrasse os mortos, foram abertas as portas das prisões e os condenados executaram a tarefa. Após semanas do mórbido trabalho, poucos eram os que tinham morrido. Em troca da liberdade foi-lhes exigido que revelassem o segredo da sua imunidade. Esta devia-se a um preparado que misturava vinho com alho macerado. Franklin escreveu na La Vie d´Autrefois que durante o século XVI os habitantes de Paris consumiam alho com manteiga no decurso da Primavera. Era também comum uma sopa à base de alho e cebolas (Soupe à Lyvriogne).

O alho Olímpico

Na mitologia da Grécia Antiga, o alho era venerado como uma planta com poderes sobrenaturais. Algumas cabeças de alho impediam os demónios errantes de entrar nas casas. A planta encontrava-se ligada ao plano sobrenatural. Colocavam uma cabeça de alho sobre um monte de pedras nos cruzamentos pensando estar a fazer uma oferta à deusa dos sortilégios, Hecate.

Homero acreditou nas capacidades místicas do alho ao descrever a forma como Ulisses se serviu dele para se proteger das pragas de Circe. Os marinheiros do barco de Ulisses transformaram-se em porcos devido a uma maldição de Circe, mas Ulisses evitou o encantamento porque, seguindo o conselho de Hermes, defendeu-se do canto da sereia de Circe com pó de alho.

Ainda no plano da mitologia, acreditava-se que Cibele, a mãe dos deuses do Olimpo, detestava tanto o cheiro do alho que quem o tivesse ingerido ficava proibido de entrar no templo. Os gregos eram igualmente grandes apreciadores do alho à mesa, dadas as suas excelentes propriedades alimentares. O filósofo grego Aristóteles (384 a.C.) afirmou acerca do alho: “É um remédio para a hidrofobia e um tónico e laxativo, sendo no entanto mau para os olhos”. Hipócrates (460 a.C.), um dos pais da medicina, também gabava os méritos do alho, que considerava como um soporífero. Aristófanes (444 a.C.), um comediante e autor dramático, tinha uma opinião tão boa do alho que defendia a sua capacidade para restaurar a virilidade nos homens.

Os atletas gregos utilizavam-no bastante, nomeadamente no decorrer dos Jogos Olímpicos. Terão sido provavelmente os Fenícios um dos povos que mais contribuiu para a disseminação do alho. Habitavam uma estreita faixa de terra entre a costa mediterrânica e as montanhas ao Ocidente do rio Jordão. A terra era fértil, apta ao cultivo do alho. Como habilidosos marinheiros que eram, contactaram com os povos da Península Itálica, Península Ibérica, França e Inglaterra. A bordo das suas embarcações levavam o alho, alimento que utilizavam abundantemente na sua dieta. É provável que ao tocarem os diversos portos, no seu intercâmbio comercial, tenham deixado algumas cabeças e sementes de alho.

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